31 de outubro de 2017

Noodles de Courgete e Cenoura com Presunto





Presunto é um dos petiscos que mais adoro e que se adapta a muitas versões culinárias. Como os dias ainda estão quentes estes Noodles com Presunto, fizeram as delícias do meu almoço. Temperei com o  Molho Pesto de Salsa, que  justificou  bem o  seu  gostinho exótico. Mas, o Presunto que  eu gosto mesmo... era aquele que a minha avó preparava, lá na aldeia onde nasci. Saí  dali ainda criança, e não gostando de Presunto, mas regressava todos anos nas férias,  e continuava  a  não gostar  de Presunto. Com onze anos fui para Lourenço Marque (Maputo) aí me tornei adulta e fui mãe; aí... já  gostava de Presunto. Regressei a Portugal em 1973, e todos os anos, viajava-mos até à  pequena aldeia... para as tão desejadas férias. E o Presunto entre outros, era dos melhores petiscos.
Dias inesquecíveis passados, que nos acalentava os longos serões de inverno... -É que só existia televisão a preto e branco, porque a cores, só mais tarde, em 1980.
Eu sei, que nem todos têm o privilégio de provar um Presunto à moda antiga. Por muito que se fale e que se diga... acaba sempre por ir parar à escudela (recipiente em madeira, de fabrico artesanal, pequeno ou grande)  do dito, uma medida de ração, e que é deitada para a pia do porco... que ele gosta e agradece. Se for em pouca quantidade, quase passa despercebido. É que... só na momento da prova, podemos falar de nossa justiça. E tudo isto que vos falo, é com conhecimento de causa. 




Na quinta dos meus avós, existiam vários currais de animais, e um, era exclusivo para o senhor suíno. Muitos anos depois, a caseira pediu-me se podia usar esse corral para criar um porquinho, onde tantos tinham crescido e engordado. Desabitado há tantos anos, ia novamente albergar um pequeno suíno... foi quando me ocorreu... -E se eu comprasse também um pequeno porquinho? Os dois juntos iriam crescer e engordar. A caseira concordou e o inverno chegou.

Para quem desconhece... o processo de salgar as carnes para consumir durante um ano... é no inverno que se mata o porco. A carne já cortada, é colocada numa grande caixa de madeira e coberta completamente de sal. Porquê no inverno?? É que o frio não deixa o sal secar, e assim, adere bem à carne, não permitindo a sua decomposição. A esta caixa dá-se o nome de: "salgadeira". Seria pois desta forma, que iria preparar os dois grandes presuntos...faltava só a salgadeira e mais tarde o fumeiro...

Os amigos que prepararam o porco, ainda tinham uma salgadeira e eu poderia usa-la. Os meus tios ,aqui do porto, também gostariam de salgar um pernil... mas há falta de bicho caseiro, adquiriram a carne, no talho da aldeia. As três pernas foram banhada com vinho branco, alho, louro, e colocadas no meio da pequena salina. Aí, ficou o tempo equivalente ao peso da carne.

Quando se retirou da salgadeira, limpou-se o excesso de sal secou-se bem. Novamente, foi muito bem envolvida numa papa de alhos, colorau e azeite, e depois colocados no fumeiro. Esta etapa consiste em que os presuntos já curados do sal, fiquem  suspensos 1,5 metro a 2 metros, sobre uma fogueira, para que esse fumo penetre e proporcione a continuidade da cura, a qual teve o seu início, no sal. Daí se dar o nome de "fumeiro". Por sorte, uns amigos nossos que ainda tinham por habito passar o serão na lareira há moda antiga, com uma bela fogueira, que obtivemos um excelente fumeiro. Não é, que não se pudesse comer o presunto conforme sai da salgadeira... mas não era a mesma coisa !!!! 

E tudo isto... foi só para demonstrar... que a carne do meu pequeno suíno tratado pela caseira em nada mas, em nada mesmo se parecia com aquela carne que veio do talho, nem na cor nem no paladar nem no aroma... foi uma desilusão para todos.
E daqui se conclui... a dificuldade em se manter tradições na nossa gastronomia. Se o produto já vem adulterado, é difícil que resultado final satisfaça como muitas vezes se pretende.




Ingredientes

150g de esparguete
1 courgete grande
1 cenoura grande
Presunuto
Pesto de Salsa e Especiarias

Preparação

_ Descasque a cenoura e com o respetivo utensílio corte em juliana. Reserve em água fria
_ Retire a casca da courgete também em juliana e reserve em água fria.
_ Com a courgete já sem casca, corte o miolo em juliana só até surgirem as sementes, e coloque de     imediato essa juliana em água bem fria. Reserve.
_ Coza o esparguete "al dente". Retire o esparguete com uma escumadeira grande de fritos para um   escorredor e debaixo da torneira deixe que a água fria retire um pouco do amido da massa e deixe   escorrer. Reserve.
 _ Deixe que a água novamente levante fervura e deite a cenoura escorrida. Como o tempo de   cozedura  destes legumes é variável convém estar atento e não deixar cozer demasiado. Retire com escumadeira, escorra e deixe arrefecer em água fria.
_ De seguida coza a casca da courgete da mesma forma. Depois de a escorrer coloque em água   gelada.
_ Termina-se com o miolo da courgete, Esta guliana, praticamente é só entrar na água fervente e retirar. Escorrer e colocar de imediato em água gelada.

Só retirei os Nodles da água para os colocar no prato, temperei com o Pesto de Salsa e Especiarias e terminei com o Pesunto fatiado.



3 comentários :

  1. Querida Rosa, gosto muito desta sugestão simples e saborosa. :) Eu ainda tenho o privilégio de comer presunto desse que aqui descreve. Antes era feito pelos meus pais e ultimamente é feito pelos pais do meu namorado que também criam uns porquinhos. :) Beijinhos
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  2. Ótima sugestão mesmo!!
    Boa semana!!
    Beijos, Deus abençoe.

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  3. Olá, querida Rosa!
    Esse tipo de presunto deixa as receitas mais gostosas, o teu prato ficou
    lindo e rico, cores lindas!
    Cores e sabores sempre em nossas mesas, o nosso paladar e saúde agradecem.
    Gostei muito do seu texto, és uma querida e sábia!

    Desejo que Novembro seja de muitas bênçãos pra vc e sua família!
    Beijos no seu ♥

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